O peso da vida

Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Umbigos


Vi o teu mundo no umbigo
Perfeito,
Revestido em veludo celestial ao toque
Contactei com ele
Curioso perscrutei cada suave prega
Da cicatriz, tudo o que resta da tua ligação ao útero
Satisfeito, fui direito ao que mais gosto em ti
Os teus lábios vermelhos de desejo,
latejantes,
frementes,
húmidos.
O calor aconchegante de um beijo que demora
Sustido
Para que sinta tudo
Palpo-os com os meus num ofego silencioso
Depois os teus dentes,
fortes,
incisivos,
Prendem-me,
Puxas-me o inferior ao limite do rasgar
Mistura de dor e prazer.
Continuo, depois de solto
Corro-os com a língua
Talvez para saber se continuam lá
E com a língua procuro o sabor dos teus,
E o gosto da tua boca, cordão umbilical invisível
Que sustém a tua vida
oxigénio, água e alimento.
Vedamo-los com vácuo,
isolados por sucção
e alimento-me de ti
E tu de mim
Simbiose de satisfação.

20/01/2010

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