O peso da vida

Sábado, 17 de Outubro de 2009

De um amigo...


Monomania

que mania de querer sempre saber tudo
de como se originou e vai acabar o mundo
que mania de querer falar tudo ao mesmo tempo

que mania de perorar sobre tudo sobre os milénios
e sobre os lugares e os bichos humanos e os bichos bichos
e porque nasce e se deita o sol, e rolam as vagas,
e fulgem as estrelas.
e migram as aves,e rodam as estações,
e correm as crianças ao longo de rios caudalosos,
e sorriem as tuas fotográficas famílias,

que mania sinistra de
narrar, julgar, taxonomizar,etiquetar,concentrar,
formular,ordenar, hierarquizar,arrumar, engavetar,
indagar,deslindar,responder, sondar, engendrar,
arquitectar.cobiçar,enciumar,mentir,
brutalizar,estuprar,matar.

que mania de ensinar, de adestrar, de racionalizar,
de comparar,de eleger, de proteger,de defender, de acarinhar,
o que o teu beijo rechaça,não demanda o teu regaço,
o que desdenha o teu abraço,
o que não necessita nem de chorar nem de rir contigo,
chamar-te amante, mãe, pai,filho,amigo,inimigo,
alguém,zé ninguém.

que mania solerte, obsidiante,
castradora,mortificadora,
de quereres sempre sempre sempre,
ser sempre sempre sempre tu, homem.

Bruno Sousa Villar