Vinte e um gramas

O peso da vida

Quinta-feira, 1 de Julho de 2010


Não como experiência,
Não como efusão momentânea
Um teste clínico, preciso e científico.
Reduzir o belo ao máximo da compreensão escorraçando os seus segredos
Quando só queria observar,
Respirar, sentir, manter, apostar,
Sem jogos, testes
Putedos descartáveis
Belezas pútridas embaladas em belos plásticos biodegradáveis
Sem todas aquelas máscaras, filtros
Agressivos que nos toldam partes da realidade.
Tantas que dominas,
Não se conhece a verdadeira
Talvez seja a única que encenas
Talvez te desconheças também.

28/06/2010

Quinta-feira, 20 de Maio de 2010


(...)

Aborrecida no carro escoltada
Ergue os olhos
Contemplando a paisagem,
Busca entretenimento
Algo para relativizar o tempo.

(...)

Domingo, 2 de Maio de 2010


às vezes a Natureza
aturde-me ao choro
quando por vezes até a tomo por certo
hoje vibrava e eu era dela
se vos visse, seriam dela
sei-o porque me lembrei de todos
e todos fizeram sentido.

às vezes a Natureza
arrebata-me ao choro

Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Saudade e Perda


Lembras-me ele
No medo da ilusão
Não sei quem partiu
Se pai, se tio.

Dores diferentes
Saudade e perda.

20/01/2010

Segunda-feira, 1 de Março de 2010

“Filhas da Mãe, fantasias eróticas das mulheres portuguesas"


Ainda vai estar em exibição pelo menos nesta semana que vem.


Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

Inferno


Mordido em corpo inteiro
(E é Deus quem no-lo diz!)

Mordido em corpo inteiro,
Na flor e na raiz
Mordido na lembrança
Constante dos sentidos.
Mordido na lembrança
Dos frémitos perdidos.
Mordido em cada braço,
Mordido em cada rim,
Nos beiços e nos ossos
Mordido até ao fim.
Mordido, mais mordido,
Mordido mais e mais,
Cada vez mais mordido
Até não poder mais.
E seja como for
Mordido sempre em vão
Mordido pelo amor
Como nos morde um cão.


Pedro Homem de Mello

Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Perturbante





Olga Roriz - Electra

Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Umbigos


Vi o teu mundo no umbigo
Perfeito,
Revestido em veludo celestial ao toque
Contactei com ele
Curioso perscrutei cada suave prega
Da cicatriz, tudo o que resta da tua ligação ao útero
Satisfeito, fui direito ao que mais gosto em ti
Os teus lábios vermelhos de desejo,
latejantes,
frementes,
húmidos.
O calor aconchegante de um beijo que demora
Sustido
Para que sinta tudo
Palpo-os com os meus num ofego silencioso
Depois os teus dentes,
fortes,
incisivos,
Prendem-me,
Puxas-me o inferior ao limite do rasgar
Mistura de dor e prazer.
Continuo, depois de solto
Corro-os com a língua
Talvez para saber se continuam lá
E com a língua procuro o sabor dos teus,
E o gosto da tua boca, cordão umbilical invisível
Que sustém a tua vida
oxigénio, água e alimento.
Vedamo-los com vácuo,
isolados por sucção
e alimento-me de ti
E tu de mim
Simbiose de satisfação.

20/01/2010

Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Uma viagem pelo tempo...

Em conversa com uma amiga lembrei-me de uma música da Rua Sésamo como resposta, daí comecei a mergulhar em memórias, aqui vai a resposta e duas lembranças, senão não saía daqui :)








Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Algo Para Guardar


Que te vi
Sem dúvidas, feliz
Fico assim por te ver assim
Os teus olhos chamativos
Espelho polido
Luminoso
Reflexos aguados sem choro.

Que te vejo
Reacendo o desejo,
A lembrança do que nutria em ti.
Era grande.
Uma paixão retorcida
Satisfeita apenas por estares
A saudade desse tempo
Onde tudo começava
Onde tudo terminava
Somente em ti.

Alimento repleto, complexo, completo.
Contigo não preciso de comida.
Emagreço o corpo
Sem dor, sem fome
Por toda a atenção
Estar perdida nos teus caminhos,
Gestos, palavras, movimentos,
Até no silêncio.

Chama-me novamente,
Chama-me insistente
Como da vez que te fiz voltar
Para me vires buscar
Ânsia de não perder qualquer bocado de tempo
Deixado para mim.

Naquela praia
Onde foste para lamentares
A tua vida.
Onde fui para ser tua muleta
Onde fui para eu ser.
Para ver se o teu cheiro era outro...
Mas não.
Emanas o perfume de sempre,
Nada de suores,
Nada de lágrimas,
Só tu,
Apenas tu.

Eu fui o poder do interesse
Fui para me satisfazer
Onde me esqueci o que me dava prazer
Mergulhei nesse mar teu
Onde nado, flutuo.
Esse avanço seguido de recuo.

Quero ter-te nos meus braços,
Envolver-te enquanto sinto todos os pedaços
Caídos, perdidos, largados
Que recolho, guardo e prendo
Para que não voltem,
Para não se juntarem
Ao peso de que te querias livrar.

Nessa praia, outra praia
Aceito que não te vou ter,
Sei que nunca.
Aproveito tudo
O que sem medo
Me dás.
Um pouco,
Prenda incomensurável.

Uma palavra
Que nem sabes que proferiste
Guardo-a dias seguidos
Até surgir outra palavra...
Guardo-as.
Aliviam-me os dias,
Semanas ou meses.

Uma palavra com prazo estendido.
Que não expira.

Dá-me uma gota do teu suor.

09/12/2009

Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Desapareci



Este dia é último e é meu,
O único que não estarei.

Não quero vozes falsas
(Sabem as que podem falar)

Aceito flores, coroas,
Sentimentos de culpa;
Os vossos não.

O que restar do fogo que me consumirá
Dividam em partes.
Um pouco no solo de onde brota uma árvore.

Na Roca, quero voar em tons cinza,
Dispersar-me,
Ser do Mundo sem o ter em mim.

Alterem a consciência,
Riam-se de episódios passados.

Bebam a dor e esqueçam-na.
Fiz o que podia fazer.

Não são necessários hinos ou elegias,
Serei tão-somente eu.

Agradeço a todos os que tentaram,
Grito o perdão que não pode ser perdoado.

Enovelei sentimentos fortes
Todos ancorados a vós.

Este novo que vos entrego
Traz vestes velhas.

Vem de tempos idos,
E tudo o que se lhe seguiu.

Nada de mais,
O que era deixou de o ser.

Não respeito leis,
Não há ordem.

Não deviam ver isto,
E menos senti-lo.

Partirei sem saber ao certo
Quão árido se pode tornar o vosso deserto.

Se possível (que não o é)
Toda e qualquer memória de mim.

Toda. Começando na existência,
Um início de anos atrás.

Não existi, não fui.
Apaguem-nas.

Droguei-me com as massas,
Inebriei-me em desgraças.

Nem tudo comportam os olhos,
Tudo isto à minha volta...

... informação excessiva
Violadora de todos os sentidos.

Se me esquecesse o Mundo
Nem número mais seria.

O que me fez continuar em todos estes dias desfocados
Foram outros sentidos.

O cansaço intrínseco, o arrasto.
Ali só posso estar eu.

A falésia do Mundo,
Último mergulho.

Queda magnífica
Angélica.

16/06/2009


Imagem: Smertens blomst, Edvard Munch, 1898

Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Soltas...


Sinto falta de te sentir.

07/12/2009




















Imagem: Moleskine Perdido/Colorido, Cláudia Guerreiro